Transformaram o coelho da Nesquik num betinho! O mundo corporativo e o capitalismo tardio






Observe estas duas imagens. Num lado temos um coelho urbano, cheio de vida e de personalidade. Um coelho que facilmente verias na casa da musica andar de Skate enquanto ouve Limp Bizkit e Eminem. No outro lado temos o mesmo coelho supostamente, mas com um visual que faz o parecer que saiu de um politécnico de engenharia e que vota no Iniciativa Liberal. 
Eu não estou aqui para debater se o visual do coelho da Nesquik é bom ou mau, e sim para discutir que o mundo atual, é excessivamente corporativo. As musicas da radio são todas iguais, as pessoas vestem-se todas da mesma forma, o que já acontecia previamente, mas com os algoritmos e o scrolling ficou mais evidente o quão influenciáveis as pessoas são. Em vez de vestir o que gostam, ficam a adotar estéticas, modas do Tik Tok ou do Instagram para descartarem um ano depois. 
Muitas pessoas dizem que o mundo esta a perder a cor, e é verdade mas e tu? Perdeste a cor, ou continuas tu? És so mais um clone do clone ou és tu? Por que quem és tu? A afirmação do eu foi substituída pela afirmação do nós, e com isso paradoxalmente cria um individualismo coletivo, onde cada bolha só se interessa pelos próprios interesses e esquece os interesses alheios as suas preocupações. 
Olhemos a juventude, cada vez mais agarrada ao conservadorismo. Muito do eleitorado do Chega são jovens, e o mesmo aplica-se ao outro lado do espectro politico, cada vez mais jovens apoiam soluções autoritárias sejam de esquerda e de direita. Por que supostamente a liberdade falhou. Mas que liberdade? A liberdade dos mercados? Isso não é liberdade, é lucro. A liberdade social? É bom que haja, é bom que haja liberdade para se afirmar, para ser como nos somos. Se um casal LGBT incomoda-te mais do que senhorios a despejar idosas, o problema esta em ti.
Nisso é onde  quero chegar. As pessoas estão a perder a afirmação do eu, do ego para a afirmação do nós. Nós como patria, nós como etnia, nós como subcultura e a esquecer-se delas mesmas. Cada pessoa é um individuo, e o individuo não foi feito para se encaixar numa engrenagem, o individuo pode ou não se encaixar, mas isso é dele, e não de um fantasma externo que o obriga a encaixar-se.
Então faço a pergunta novamente, quem és tu? Podes responder de varias formas a esta pergunta e com certeza vais errar. Por que até eu falho a esta questão. Pois o individuo não é o dinheiro que tem, não é o titulo que tem, não é a reputação que tem, isso são posses e não ser, o individuo é em essência o que ele é, a posse mental dele mesmo. Paradoxalmente, isso faz com que as pessoas em volta do individuo o conheçam melhor que o individuo em si, por que o eu projeta-se para fora, através das nossas ações e palavras, e nem sempre o eu tem consciência disso. 
O surgimento da arrogância vem quando o individuo acha que sabe quem ele é quando não sabe. Quem lucra com isso? As corporações. Vendem ao individuo a mensagem do que ele é quando na realidade essas informações são mentira. Dizem a anoréxicas que estão gordas, dizem a idiotas que são geniais, dizem a misóginos e homofóbicos que eles são iluminados, dizem a ricos que eles são trabalhadores e aos trabalhadores que eles são ricos. É essa a afirmação do mundo corporativo, a transformação do eu no nos. Nos homens, nos mulheres, nos isto, nos aquilo, em vez de eu, pessoa. Assim criando bolhas homogêneas e de mente coletiva onde todos concordam com tudo e obedecem a um algoritmo controlado pelas corporações. 
Tanto que a própria palavra corporação vem do verbo latino corporare, que vem da palavra corpus, que no fundo significa formar um corpo. Mas corpo só há um, que é o teu, e por isso pergunto, vais colaborar, ou vais ser tu?


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